terça-feira, 19 de julho de 2011

TRAFALGAR SQUARE

Essa praça é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, tanto pela proximidade a algumas das mais típicas atrações da capital da Inglaterra e da maravilhosa vista que se têm delas, como pelos seus monumentos. É um lugar de encontro de pessoas do mundo todo e também de artistas que ali se apresentam, atraindo o público.














Dela se avista o Big Ben, conhecido por sua precisão. Big Ben não é o nome do relógio do Parlamento, mas do sino de treze toneladas que fica dentro da torre do relógio e é assim chamado em homenagem a Benjamim Hall (Ben) que era corpulento (Big), ministro de Obras Públicas da Inglaterra em 1859, quando ele soou pela primeira vez.



Da praça se vê também um grande edifício com três arcos, o Admiralty Arch, onde se inicia arborizada e cheia de bandeiras britânicas, a Avenida The Mall, que dá diretamente no Palácio de Buckingham, passando pelos belíssimos parques reais St James e Green Park.



Parque St James, com suas espreguiçadeiras

JARDIM VERTICAL EM TRAFALGAR SQUARE,LONDRES

Em Trafalgar Square está o magnífico prédio da Galeria Nacional, fundada em 1824, um dos mais importantes museus da Europa, com mais de 2.300 pinturas, com entrada gratuita. Do seu lado esquerdo, há uma enorme parede viva, que é ao mesmo tempo um exemplo de marketing ambiental e um interessantíssimo projeto de arquitetura verde: o jardim vertical. Ele é composto de 8 mil plantas de 26 espécies diferentes e imita o quadro de Van Gogh, “Milharal com Ciprestes”, pintado em 1889, que se acha exposto no interior da Galeria. Segundo informações obtidas na internet, “para dar vida à obra, foi necessária uma rígida seleção das plantas, já que era de extrema importância que as faixas de cores não se perdessem.”
A parede tem 640 divisórias e as plantas foram colocadas manualmente em cada uma delas. Calculo que meça de 8 metros de altura por uns 12 de cumprimento. Tem um sistema de irrigação embutido e precisa ser podado a cada duas semanas. Os jardins verticais estão se tornando comuns em Londres e apesar de instalação e manutenção caras, são alternativas para deixar a cidade mais verde e ajudam no isolamento acústico e térmico.
Um dos grandes problemas dos idealizadores desse projeto foi não encontrar plantas que reproduzissem o azul do céu presente no quadro do artista holandês. Mas isso não tira a beleza dessa obra de arte viva, que ficará exposta até outubro próximo. A instalação foi patrocina pela General Electric e faz parte de um plano eco-sustentável do museu, para reduzir a sua própria emissão de gás carbônico na atmosfera. Toda a sua iluminação foi trocada por lâmpadas de LED, mais caras, mais eficientes do que os outros tipos de lâmpadas, com uma vida útil de 20 a 50 mil horas.

Esse é outro jardim vertical que vi em Londres.

A TROCA DA GUARDA - PALÁCIO DE BUCKINGHAM - LONDRES

Uma das cerimônias mais tocantes a que assisti na minha vida foi a troca da guarda no Palácio de Buckingham, em Londres, Inglaterra.
Domingo,29 de maio,11 e meia da manhã. Milhares de pessoas lotavam os Jardins da Rainha, defronte ao Palácio e também a sua frente, que é toda protegida por grades e têm três portões principais. A cerimônia começa com a chegada da cavalaria e do regimento dos guardas reais, vestidos com jaleco vermelho, calças pretas com listras vermelhas e chapéu preto, conhecido como cone peludo e que marcham ao som da banda real. Entram por um dos portões laterais e no pátio principal, o regimento que está chegando inicia um a um, a substituição dos homens do regimento que está de guarda. Após isso, ainda dentro do pátio, a banda faz um pequeno concerto, tocando marchas e músicas populares. Ao terminar, ela entra em formação, o portão principal se abre e ela sai garbosa, impecável, levando atrás de si o regimento que está deixando a guarda.














terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Olhares

Olhares: "

O mundo, como eu o vejo.

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

TRADIÇÕES

Vou pedir licença para Walcyr Carrasco e iniciar meu texto com o primeiro parágrafo da belíssima crônica que escreveu para a Revista Veja do dia primeiro de dezembro passado: “Sou apaixonado pelas pequenas tradições. Gosto de levar flores quando visito alguém pela primeira vez. Adoro bolo de casamento. Por maior que seja o regime, eu me atiro nos brigadeiros e línguas de sogra das festinhas infantis. Natal tem de ter árvore com bolas e luzinhas coloridas. E, como em todos os anos, acabo de montar a minha.”
Assim como esse conceituado autor de novelas, também gosto muito de pequenas tradições e coincidentemente as referidas por ele, são também algumas das minhas. Mas além dessas, tenho outras.
Uma das tradições que herdei de meus pais é ir aos domingos na Praça da República ouvir a centenária Banda Carlos Gomes tocar. Quando eu era pequena, isso era um rito sagrado em casa, assim como ir à missa. Domingo sem missa, não era domingo; sem banda, também não. Íamos a pé ao Jardim de Baixo e eu e meu irmão Mir fazíamos aquilo que até hoje as crianças fazem: rodar em volta do coreto ao som da nossa mais tradicional agremiação musical. Quando meus filhos eram pequenos, a tradição continuou. Por muitos anos. Hoje, com os filhos crescidos, eu e meu marido ainda temos o costume de ir de vez em quando, ouvir a banda tocar. Nós nos sentamos em um banco e ficamos conversando, trocando idéias, recordando o tempo em que namorávamos ali, assim como muitos casais o fizeram, fosse qual fosse a estação do ano. E ouvindo aquele centenário som, voltam na memória todos aqueles alegres momentos que ali passamos com nossos pais, com nossos filhos, uma tradição que desejamos, possam nossos filhos repetir com seus filhos. A banda é um patrimônio da cidade e assim deve ser tratada, cuidada e prestigiada.

Outra tradição que cultivo e recebi de herança é visitar parentes. Quando eu era pequena, minha avó me levava nos domingos de manhã para a casa do nono, o pai dela, para pedir a bênção. Eu também ia com ela visitar as suas irmãs, suas cunhadas, suas comadres e talvez por isso saiba de tantas histórias sobre nossa família, os Munerato. Meu pai também gostava muito de pegar nosso DKW azul e sair com a família, aos domingos, para visitar a parentada. Fomos muitas vezes fazer visitas à mãe dele, às suas irmãs em Lins, ao irmão no Rio de Janeiro e aos parentes da minha mãe que moravam em Iguatemi, Piratininga, Nova Europa. Sempre que posso faço uma visitinha para os integrantes da minha família e da do meu marido. Existe coisa mais gostosa do que sentar com a tia e relembrar tudo de bom que aconteceu em nossas vidas? Tem alegria maior do que rir muito com os primos lembrando os momentos que passamos fazendo traquinagens? Há momentos melhores do que tomar um cafezinho com os irmãos e a mãe, jogando conversa fora? E que delícia é visitar os parentes do marido e saber de histórias da família!

Uma tradição que herdei de meus pais é cultivar, apreciar e prestigiar as coisas de Jaú. Só para dar um exemplo, na casa de meus pais, nos almoços de domingo, nunca faltou refrigerante XV. Mesmo depois do advento da Coca Cola, continuávamos degustando o autêntico gostinho jauense, que faz sucesso até hoje. Sempre preferimos lojas, profissionais de saúde, escolas da cidade. Hoje também damos preferência a produtos e serviços da cidade, pois aqui há em todas as áreas excelentes profissionais e empresas especializadas. Além daqueles que manufaturam seus produtos quase que artesanalmente. No casamento de minha filha Juliana, dos convites aos bem-casados, foi tudo autenticamente jauense.

Para que buscar fora o que temos aqui? Por que não prestigiar o que é nosso? Jaú tem tudo de bom que a gente precisa. É só procurar, que a gente acha.
Albert Einstein disse certa vez que “além das aptidões e das qualidades herdadas, é a tradição que faz de nós aquilo que somos.“ Quem somos nós para contestar esse gênio da humanidade?

domingo, 14 de novembro de 2010

Dia da Lembrança Negra


Os negros sempre estiveram presentes na minha vida e da minha família e este texto é uma homenagem a eles, que sempre tiveram o nosso respeito, porque a igualdade é um princípio cidadão, cristão e todos têm os mesmos direitos e deveres dentro da sociedade. Discriminar minorias, além de crime, é falta de humanidade.
Quando eu era pequena, costumava ir com minha mãe ao Vespeiro, que ficava no início da Rua Sete de Setembro, onde hoje há um posto de gasolina. Era um local habitado apenas por negros; nós morávamos ali perto e íamos visitar Dona Noêmia, nossa conhecida. Eu me lembro que ela tinha um grande pilão, no qual fazia uma simpatia para bebês que custavam a andar. Se estes teimavam em ficar engatinhando, quando outros da mesma idade já andavam, as mães os levavam até ela para fazer a tal simpatia. Ela colocava a criança dentro do pilão, fazia movimentos como se esta fosse um socador e dizia umas palavras que ninguém entendia. E não é que funcionava?
No local, as casas eram geminadas, como aquelas das colônias das fazendas, e ali moravam as figuras folclóricas Subica, Pé de Leque e Nego Cinda, além do Gonça, um ótimo carpinteiro e marido de Ornélia, que trabalhava conosco. Quando o Vespeiro foi derrubado, muitos foram morar na Vila XV; Gonça e a família se mudaram para a Vila Sampaio e durante muitos anos ele desfilou nas escolas de samba da cidade. Num dos carnavais, ele apareceu em casa e deu uma missão para meu irmão, Mir: pediu que ele lhe fizesse uma coroa bem bonita, porque ele iria sair vestido de Rei, no domingo. Seu desejo foi cumprido e ele e mulher desfilaram naquela noite, com garbo e ginga de majestades carnavalescas.


Na Rua General Isidoro, bem perto de onde é hoje a esquina com Rua Conde do Pinhal, havia um conjunto de casas também habitadas por famílias de negros, entre elas a Carvalho. Eu me lembro de Sabará, que foi jogador do Galo da Comarca e sua irmã Maria das Graças, que até hoje desfila em escola de samba com alegria contagiante. Nos fundos das casas, havia uma grande montanha de areia, o areião. Eu, meus amigos e a meninada da redondeza nos divertíamos ali. Era nossa praia. Numa das casas morava Quim Carvalho, que gostava muito de música e tocava sanfona. Um dia, na década de 90, ele veio a minha casa para trabalhar como pintor. Na hora do cafezinho, eu me sentava ao lado dele, para ouvir histórias do tempo em que ia tocar nas fazendas de Jaú e da época em que a molecada brincava no areião do seu quintal.
Na Orquestra Continental havia vários músicos negros e convivi mais com três: Rubinho, que tocava bateria, Jesus de Oliveira, trombonista, conhecido como Deus, cujos filhos Paulo e Jesus foram meus colegas de docência e Bambuzinho, que tocava pandeiro, hoje é o Mestre Bambu que ensaia várias fanfarras da cidade e nas apresentações comparece impecavelmente vestido com seu terno branco. Ele é um Borges, a família das Sofias e dos Bambus. Eu me lembro que eu era menina e ia com meu pai à casa do Bambuzão, perto da então chamada Ponte dos Suspiros, e lá encontrava com a matriarca Sofia, várias Sofiazinhas e Bambuzinhos, meus amigos até hoje. Entre eles, Rosângela Sofia, minha colega de Industrial e José Luiz, o Bambu, comandante da Banda Marcial do Aristocrata Clube.



Convivi também com os Américo: Edu- o grande jogador do Santos, amigo de infância e juventude do meu marido- Cidinha, Ciça, Etelvina e Terezinha, amigas de longa data;


os Vieira, com a qual convivo há mais de 40 anos; Catarina é minha ajudante e madrinha de meus dois filhos;



os Manoel, de Isabela, Maurício e Silvio; os Souza de Marina, Iara (iara) e Maneco; os Lopes de Mestre Marcial; os Damas; os Ferreira, do militar Bernardo; os Camargo, do conhecidíssimo Dito Camargo; outros Souza, de Purunga, Neil e Elke; os Lucas, de Osvaldo, um dos melhores dançarinos que Jaú já teve e tantos outros que agora me fogem à memória.


Como diz Camila Killiark “se as pessoas soubessem dar valor ao caráter, o quanto elas dão importância à classe social, cor e beleza, talvez o mundo não estivesse à beira do abismo” e não seria necessário um dia da consciência negra, um dia da consciência gay, um dia da consciência indígena, um dia da consciência deficiente, um dia da consciência das mulheres espancadas, um dia da consciência pobre. Igualdade de direitos é acima de tudo um preceito constitucional.